Ao longo do semestre, nós aprendemos algumas teorias da comunicação que reúnem estudos e embasam a prática profissional, nos permitindo compreender considerações importantes acerca da influência dos meios de comunicação de massa e dos receptores. Dentre as teorias destacamos a de Representações Sociais e os Estudos Feministas, por tratarem da perpetuação de valores, conceitos, paradigmas, definições, imagens, símbolos e signos.
Em relação às representações, percebemos que as instituições sociais, principalmente a mídia, ajudam a criar, recriar, estabelecer, difundir e reforçar as representações, estigmas, paradigmas, estereótipos e preconceitos existentes ou latentes na sociedade.
Nos Estudos Feministas, vemos que os meios de comunicação têm o poder de influenciar na determinação e consolidação dos papéis sociais, de acordo com o gênero, como apresentar, por exemplo, representações de uma falsa “perfeita mulher”, que dita os parâmetros ideais para as demais. Simone de Beauvoir explica a “criação” social feminina, tanto ideológica, quanto física: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”.
Com base nesses dois estudos, analisaremos o desenho animado “Os Padrinhos Mágicos” (The Fairly OddParents, em inglês), exibido em vários canais, dentre eles Nickelodeon, Jetix e Disney Channel, na TV por assinatura, e também na Rede Globo. Cada episódio é composto por dois blocos, com aproximadamente dez minutos cada. Já existem sete temporadas, sendo que a primeira foi veiculada em 2001.
O desenho conta a história de Timmy Turner, um garoto de 10 anos, travesso, excluído, reprimido e extremamente obcecado em se tornar popular na escola em que estuda, em Dimmsdale. Tudo o que faz acaba mal. Timmy é apadrinhado por fadas mágicas que são tão atrapalhadas quanto ele: Cosmo e Wanda. O protagonista é filho dos senhores Turner, pais meio negligentes. Vicky é a babá de Timmy.
Na animação, destacamos três personagens femininas: a inominada Senhora Turner, ou “Mãe do Timmy”; o cérebro do desenho, a fada Wanda; e a malvada babá, Vicky. Elas são marcadas por personalidades diferentes, cada uma representando um estereótipo feminino, seja pela quebra de antigos conceitos ou pela reafirmação deles.
Luciana é a Senhora Turner, mas seu nome só é citado no episódio Miss Dimmsdale. Nos outros momentos, ela só é chamada de “mãe do Timmy”, inclusive por todos os personagens, como se ela fosse uma pessoa secundária, uma sombra do Timmy, sem identidade. O fato de pertencer a uma família – Sr. e Sra. Turner – também faz com que perca a sua personalidade.
A matriarca da casa é uma mulher desleixada, que aparece como uma inútil, sempre sorrindo para manter a aparência e o status, inclusive nos momentos ruins. Apesar de trabalhar como corretora de imóveis, aparece em atividades domésticas ou acompanhando o marido, cumprindo o papel da “boa esposa”.
A madrinha mágica Wanda é o contrário da mãe do Timmy. É inteligente, prestativa, racional, e é quem discerne o certo do errado, apesar de ser pouco simpática. A todo o momento dizem que “ela sempre acaba com a diversão”. Não tem “frescuras de mulher”, como escrever em diários e falar de sentimentos. Em contrapartida, ama o marido Cosmo, apesar das burrices dele, como se para se sentir inteira, necessitasse de um parceiro. No episódio “Caindo de Amores”, Wanda canta “Do que as garotas gostam mais”, que são os considerados desejos femininos, dos quais ela partilha sem querer demonstrar, como “gastar bastante sem sentir” e gostar de sentimentos e romance. No episódio “Férias da Wanda”, em que apenas Cosmo realiza os desejos de Timmy, os dois quase destroem a Terra, como se a presença dela fosse vital.
Durona como Wanda, mas negativamente, Vicky é a antagonista da história. Não faz questão de ser a “boa menina”. Na verdade, é um terror e faz tudo por dinheiro. Mesmo sendo babá, não gosta de crianças. É ela quem manda na casa e nos próprios pais. Dominadora, inclusive quando está apaixonada, esse seu jeito faz com que seja mal-amada. Apesar de tudo isso, ela vive “caída de amores” por algum rapaz, inclusive Timmy, que aparece adolescente em um episódio.
Histórias como esta mostram que mesmo as mulheres sendo representadas socialmente de maneiras diferenciadas, cada uma com suas peculiaridades, acabam sendo ligadas a lugares-comuns, conceitos existentes a respeito de seu papel. Ao mesmo tempo em que paradigmas são quebrados, outros são reafirmados, como no desenho, em que apesar das mulheres possuírem muitas qualidades, acabam demonstrando certa carência afetiva pelos homens, como se fosse o ponto fraco de todas elas.
Rafael de Carvalho em Parceria de Bruno Dantas
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Há 5 anos
Um comentário:
intiresno muito, obrigado
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