Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O que vivi da vida ou nada a ver com isso

Não sou muito adepto em discorrer sobre o passado. O que eu vivi da vida está lá atrás em algum minuto passado. Não que isso seja uma fuga, pelo contrário, até tenho um certo respeito pelo meu passado pois foi nele que me inspirei e me impulsionei até aqui.
Encaro a vida como uma estação metroviária. Milhares de pessoas entrando e saindo, indo e vindo, cada uma com sua intensidade e sua energia. Cada uma sendo fundamental para meu caminho com seus diferentes graus de intensidade.
Tenho passado por várias expiações nos últimos dias. Tive que abrir mão de coisas que eu pensava me pertencer que na verdade nunca foram. Aliás, confesso que sempre soube que não eram minhas mas eu me iludia na intenção de disfarçar e transformá-la em felicidade. Gosto disso. De irradiar felicidade até mesmo aonde não tem. Me sinto bem...sei lá.Mesmo sabendo que posso me ferir eu não desvio meu propósito de fazer o bem às pessoas.
A vida continua e me mostra a cada raiar do sol que a batalha é um eterno recomeçar!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A beleza (ou quase isso) de A Pele Que Habito



Existem filmes que após serem assistidos devem ser comentados. Um deles, com certeza, é “A Pele que Habito”, sob direção de Pedro Almodóvar.

Trata-se, simplesmente, do melhor filme que assisti este ano. É surpreendente e super recomendável, com um roteiro que viaja no tempo e te localiza com maestria. A produção lida com assuntos diversos que vão desde dramas psicológicos, relações familiares, estudo de gêneros, paradigmas científicos, justiça com as próprias mãos, etc... e claro com muito suspense e amarrações muito interessantes, afinal estamos falando de um filme de Almodóvar.

A história não segue uma linha cronológica simples, mas como é apresentado deixa tudo muito claro - inclusive adorei o recurso utilizado, achei clássico, achei vintage, rs. Aos poucos a história se encaixa e todos os personagens são apresentados, inclusive psicologicamente, através de flashbacks que precedem o desfecho surpreendente (já repararam que este é o meu adjetivo para o filme, né?!). Então basta de babação, vamos ao enredo:

Roberto Ledgard – encarnado com maestria por Antônio Bandeiras – é um cirurgião louco, que teve uma família muito louca e idéias muito loucas. Ledgard, passou por todas as agruras dessa terra, exceto a pobreza. Sua esposa (Gal) quis fugir com o seu irmão marginal – Zeca - (obs.: ele não sabe disso por que sua mãe era sua empregada), mas sofreram um acidente quase morreu queimada, ele a salvou, apesar disso, a vaidade fala mais alto e Gal acaba cometendo suicídio na frente da filha do casal. Norma (a filha – interpretada pela atriz Bianca Suárez) desenvolve uma série de transtornos e recebe tratamento psicológico. Numa dessa, o médico responsável pelo tratamento da menina aconselha uma socialização.

Roberto leva a filha a um casamento na cidade. Norma conhece Vicente, um jovem muito atraente vivido por Jan Cornet, que a estupra e a deixa desacordada. Ao acordar, nos braços do pai, a problemática Norma o reconhece como a pessoa que a violentou o que a faz voltar ao isolamento e, posteriormente, cometer suicídio. Na verdade, este é o começo de toda a trama.

Roberto, então, tem três objetivos: se vingar do estuprador de sua filha, ser um cientista reconhecido pela criação de uma super pele que possa ajudar vítimas de queimaduras e trazer o grande amor da sua vida de volta. Para tudo isso só contava com a ajuda de sua prestativa mãe empregada, Marília, e um meio, o corpo de Vicente. Daí nasce Vera Cruz (a linda e extremamente sexy Elena Anaya).

O filme tem um que de bom humor e suspense agradável casado ao constante clima de tensão. A fotografia do filme é fantástica, mesmo fugindo do colorido, formando moldes neutros hora ou outra interrompidos pelo vermelho do sangue, o preto do terno ou dos lápis na parede azul pastel e roupas floridas. Outro recurso que merece parabéns é a edição, pelos cortes, ótima sacada.  

A sonoplastia te carrega pra pizza de climão proposta desde o inicio do filme em parceria com a forma que todos os atores foram super convincentes em seus personagens. Enfim, trata-se de uma obra de arte feita na medida certa, sem exageros, apesar de ter cenas fortíssimas e muito bem amarrada do começo ao fim. E falando em fim, o filme acaba e você não sabe se quem mereceu se dar mal se deu mal e se quem se deu bem realmente merecia se dar bem, por que todos tem o rabo preso.

Extasiado, Fael d'Carvalho.     

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Diga-me ou diz pra si...



Por que o sentimentalista julga a sociedade como alienada sentimental?
O que seria um alienado sentimental? Quem não ama? Quem não gosta? Quem respira?
Me diz quem, em qualquer parte do mundo, tem um sentimento alienado?
Me diz um só homem que não tem sentimento ou que o tenha igual ou influenciado por outro?
O sentimentalista não entende que todo ser tem prioridades e, às vezes, se entregar não é uma delas.

Por que reclamar de quem devora corpos?
Me diz, então, quem nunca quis o calor de uma carne para cobrir-se num dia frio!
Pode me dizer quem nunca quis deitar-se ao lado de um coração pulsante só pra se sentir vivo? Não, não pode, né!?
Se não quiser demonstrar engano, apenas diga a si.

Quem nunca gostou de ser carne e no outro dia ser livre?
Me diz só um romântico que não provou seu dia mundano sem arrependimento.
Vasculha no teu baú de recordações, você vai achar algo... Nem que seja um olhar descompromissado e excitante. Daí se, assim mesmo não achar, me diz.
Se achar, por favor, jura que me diz?

Me diz qual pessoa que se julga sentimentalista nunca soltou uma cantada barata?
O sentimentalista é tão abstrato quanto o sentimento, tanto que eu mesmo nunca toquei em um convicto.

Me diz quem, mesmo em meio a devassidão, não tem a cabeça – digo a de cima – em algum lugar ou em alguém?
Me diz quem não tem ao menos uma paixão? Seja uma pessoa, um objeto, um destino, um sonho... Seja o próprio sexo.
Me diz quem vivo, num exame profundo, não tem músculos, ossos, cérebro e coração em funcionamento apesar de qualquer defeito?

Esses que entendem que o mundo nos dispõe corpos e que esses corpos têm necessidades maiores, eu chamo de realistas.
Eles reconhecem que nem sempre seu mundo é feito de amor doentio e que, na verdade, raramente precisam dele.
Sabem que, assim como ele, outro humano precisa de carinho e atenção da mesma forma que precisa do fogo do companheiro.  

Por que o sentimentalista não procura outro como ele pra julgar no fim?
Uma resposta? Lá vai: O sentimentalista julga como vazio tudo o que, de fato, não atende às suas expectativas.

Outra resposta? Ele não teria como se justificar, se vitimizar...
O sentimentalista sofre por ter o que caça.
Ele quer carne para preencher seus sentimentos, mas carne só preenche carne...  

E você o que responderia?
Quer - ser e/ou ter - um sentimentalista ou realista?

Mesmo definindo me confundo,
 Fael d’Carvalho

domingo, 4 de dezembro de 2011

Quase póstumo Poeta




Alguns dias sinto minha poesia morta,
Não que o mundo não disponibilize mais magia,
Mas por algumas coisas mudarem em mim.

Talvez seja o poeta que esteja morrendo,
Aquele que sempre foi faminto por paixões não anda com o mesmo apetite,
Não pelo mundo não lhe oferecer bons sabores ou lhe apresentar os melhores aromas.

Talvez o problema seja na visão,
Não que não veja a beleza que o mundo traz,
Mas pela forma de vê-la.

Ele olha de longe, mesmo próximo.
Saboreia a ambrosia sem ao menos tocá-la,
Sente o perfume sempre distante...

Esse poeta fugiu e se escondeu em outro ângulo.
Um que o deixa seguro, acomodado e entregue apenas a si mesmo,
Tão livre e tão prezo.

Esse poeta desconfia, agora, até dos mais sinceros sentimentos.
Entrega-se em parcelas, em momentos, sem esperar eternidades.
Clama para ser salvo desse esquecimento sem permitir salvamento.

Talvez este poeta esteja nas últimas.
Porque o poeta que não acredita em sua poesia não faz poesia.
Porque poeta que não sente, não vive, pelo menos, não como poeta...
  
Me reavaliando, Fael D’Carvalho

sábado, 3 de dezembro de 2011

O mundo dá voltas


A vida é um conjunto de dias. Dias bons. Dias ruins... Sobretudo, dias surpreendentes. Dias que lhe arrancam à dentadas suas medalhas e, em seguida, lhe dão em bandejas de ouro novos troféus. Sem motivo, sem objetivo. Apenas acontecendo.
Todo dia é um momento, um recorte do todo em mão única, e se quer saber, apenas de ida. Vida é agora, talvez o futuro, nunca o passado, que serve apenas para nostalgia, não para remorso. Isso se aprende com o tempo.  Esses momentos consomem dolorosas lágrimas e, em seguida, entregam prazeirosos sorrisos. Assim, sem razão, sem porquês, apenas ocorrendo.
Esse é o mundo: Dias seguidos, momentos costurados e vidas que saem e entram nas nossas vidas; Feito de lágrimas, suor, gozo e sorriso; Cheio de virtudes e pecados... Entre milhares de qualidades do mundo, mesmo essa podendo ser boa ou ruim, dar voltas e se reinventar é a melhor.

Feliz com TUDO que está me acontecendo,
Fael d’Carvalho