Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Construção de Corumbá IV acionou “moralidades concorrentes”

Pesquisador revê foco exclusivo no ponto de vista econômico e identifica quatro "moralidades" presentes na construção da represa: ambientalista, desenvolvimentista, ativista e camponesa
Rafael de Carvalho Gomes

Brasília não possui nenhuma Usina Hidrelétrica (UHE), porém financiou a construção de Corumbá IV, em Luziânia, no estado do Goiás, com uma verba de R$ 600 milhões. O lago artificial provido pela barragem e abastecido pela bacia do Corumbá, fornece 10 mil litros d’água por segundo. Inaugurada em 3 de fevereiro de 2006, a usina gera 127 Megawatt, o suficiente para abastecer uma cidade de 250 mil habitantes, o que representa aproximadamente 15% da população do DF.

O lago da usina ocupa uma área de 17 mil hectares. Esses 17 mil hectares ocupados por água são responsáveis pelo desmatamento de outro tanto de mata nativa e pela retirada de 623 famílias, sem contar na expulsão voluntária ou não da fauna nativa da área.

Ordem moral Entre os trabalhos acadêmicos que lidam com assuntos referentes a barragens, uma dissertação elaborada na UnB se refere à Usina Hidrelétrica de Corumbá IV. “Construção de Significados no Evento-situacional Usina Hidrelétrica Corumbá IV: Desapropriações, Reordenamentos e formação de uma ordem moral”, é o nome do trabalho desenvolvido por Rodrigo Augusto Lima de Medeiros, no mestrado em ciências sociais da UnB.

O autor aborda o tema com base na distinção de quatro linhas de moralidades envolvidas na construção de uma usina, ou diretamente com o espaço físico de uma represa e seu lago. Ele as designa como ambientalista, ativista, camponesa e desenvolvimentista.

“Ambientalistas” Sob essa designação, o autor enquadra pessoas físicas e jurídicas que se envolvem no processo de construção, “devastagem” de habitat, reordenação de população humana e animal. Geralmente estão ligadas profundamente ao processo de organização, habilitação ou desabilitação, e autorização ou embargo de projetos de construções de barragens e hidrelétricas.

O Ibama e algumas organizações não governamentais, como por exemplo o GreenPeace, geralmente vão contra esses projetos. Os ambientalistas comumente estão preocupados com a mudança de paisagens e da biodiversidade (de fauna e flora) afetada com a construção de uma barragem.

“Ativistas” Como tais, Rodrigo Medeiros “classifica” os envolvidos que se manifestam em organizações políticas, sociais ou ONGs. Existem dois tipos: os que vão contra e os que vão a favor. Geralmente, no primeiro grupo, estão os atingidos pelas barragens e os grupos ambientalistas. Medeiros destaca no texto movimentos como Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que reivindicam terras produtivas inutilizadas nas proximidades de barragens.

Entre os que vão a favor, em boa parte desenvolvimentistas, políticos, empresas de consórcio de construção e/ou companhias elétricas. Estão mais importados com a parte humana dos afetados por barragens.

“Camponeses” Verdadeiros atingidos por barragens, os camponeses são pessoas que têm suas propriedades expropriadas para o alagamento ou para a área de propriedade da hidrelétrica. São remanejados e submetidos a uma série de frustrações ligadas desde o lado psicológico ao lado financeiro. Mesmo quando não remanejados, vêem-se obrigados a trocar de função econômica. Muitos agricultores que perderam parte de sua propriedade passam a investir em hotelaria às margens das lagoas de barragem, por exemplo.

Destacam-se também as comunidades ribeirinhas, pessoas que moram perto de rios, córregos e outras fontes de água corrente desviadas para a obtenção das reservas d’água das hidrelétricas. Os camponeses são, em grande parte, os ativistas do MAB.

Como “desenvolvimentista”, Medeiros menciona o grupo ligado ao trabalho técnico envolvido na obtenção de barragens. Os integrantes desse grupo defendem a função e o desenvolvimento de recursos que serão (no caso de projetos) e são (no caso de já instaladas) geradas por hidrelétricas.

“Desenvolvimentistas” – O grupo desenvolvimentista é ligado a políticos, empresas de prestação de serviço elétrico, empresas de consorcio de construção e manutenção e órgãos governamentais de controle e distribuição de energia como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que visam a capacitação técnica e o desenvolvimento teórico, com função geralmente econômica de crescimento.

Os desenvolvimentistas geralmente valorizam o desenvolvimento tecnológico gerado pelas hidrelétricas, em detrimento das perdas etnográficas e ambientais. Em sua conclusão, quando faz menção a uma mudança no seu próprio ponto de vista, o autor revela que, de início, seu pensamento era basicamente desenvolvimentista.

Novo foco – Rodrigo Augusto via a construção de uma hidrelétrica como algo grandioso e necessário, que compensava qualquer mal ambiental ou social que poderia ser gerado por sua obtenção. Com o início do estudo sua linha de raciocínio logo se alterou.
A base de sua dissertação não estava mais nos benefícios adquiridos com a construção de uma barragem e sim no que mudou no espaço em que foi construída a hidrelétrica, considerando elementos anteriores e posteriores à construção.

Mudanças – O autor apresenta com profundidade diversas mudanças causadas pela construção de Corumbá IV, com base na consideração dos destituídos de suas propriedades, da população local empregada na composição das obras, dos técnicos vindos de outros estados ou até outros países e das famílias que dependiam do fluxo normal das fontes de abastecimentos das lagoas de barragem.

No que se diz respeito àquilo que uma barragem provoca, há um envolvimento de mais do que venda e compra de terrenos. Marcas físicas de histórias são apagadas a base d’água. A dimensão psicológica do evento-situacional de uma hidrelétrica vai bem mais além do que se vê pelo ângulo técnico ou das melhorias econômicas.

Medeiros tirou o foco do ponto de vista econômico e procurou ouvir outros pontos de vista: o dos moradores da área, o dos funcionários empregados graças as obras de construção, o da comunidade que mora próxima a lagoa de barragem, o do MAB, o da visão de ambientalistas e o dos governantes.

MEDEIROS, Rodrigo Augusto Lima de. Construção de Significados no Evento-situcional Usina Hidrelétrica Corumbá IV: Desapropriações, Reordenamentos e Formação de uma Nova Ordem Moral. UnB/ICS/CEPPAC. 167pág. Brasil, DF, Brasília, 2007. Orientador: Cristhian Teófilo da Silva.

Impactos ambientais, técnicos, sociais e culturais são objetos de pesquisas

Teses e dissertações discutem relação conseqüências da construção de barragens hidrelétricas. Trabalhos defendidos na UCB abordam “conflitos institucionais” e “conflitos sócio-ambientais”
Rafael de Carvalho Gomes

Numa consulta ao acervo digital da Universidade Católica de Brasília (UCB), da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade estadual de Campinas e da Universidade de São Paulo (USP) foram constatadas 86 dissertações e teses referentes a hidrelétricas, resumidas na tabela abaixo:

Teses e dissertações sobre hidrelétricas e seus impactos

* Um resultado foi classificado em duas definições.
** Quatro resultados foram classificados em duas definições; Um resultado foi classificado em três definições; E um resultado foi classificado nas quatro definições.
*** Um resultado foi classificado em três definições e cinco resultados em duas definições.
**** Dois resultados de enquadraram em duas definições.

Algumas dessas teses e dissertações preocupam-se apenas com aspectos técnicos, envolvendo funcionamento, construção, produção, expectativas, projetos e etc. Outra vertente de estudos aborda os impactos causados pela construção de uma barragem, onde se apontam impactos ambientais, sociais e culturais.

Conflitos – Na UCB duas dissertações de mestrado foram defendidas. A primeira sobre “Conflitos institucionais em empreendimento do setor elétrico: estudo de oito pequenas centrais hidrelétricas/PCHs na bacia hidrográfica do Rio Juruena, no Estado de Mato Grosso”, de Iane Andrade Neves, no dia 6/12/2007, sob orientação do prof. Paulo Jorge Rosa Carneiro.

Em dezembro do ano passado, quase exatamente um ano depois, no dia 9/12/2008, foi a vez de Olga Santana Sales, sob orientação da prof. Helena Correa Tonet, defender dissertação sobre ”A construção de barragens e os instrumentos norteadores de planejamento e gestão ambiental para a minimização dos conflitos sócio-ambientais”, para obter o título de mestre em Planejamento e Gestão Ambiental.

Texto publicado no blog Diante Disso: http://diantedisso.spaces.live.com/ , Onde se encontram vários outros textos meus e dos colegas de curso.

Rafael de Carvalho

Hidrelétricas: da aula de 5ª série à contestação na rua

Exploração da força motriz da água e do seu potencial para gerar energia elétrica criou uma legião de deserdados: os “atingidos por barragem”. Eles se mobilizam por indenizações, têm um dia um dia internacional de luta, e questionam o poder das grandes empresas na definição do “modelo energético”

Aline Costa, Mariana Damaceno, Rafael de Carvalho Gomes e Tainá Gonçalves

É terça-feira, 14 de abril de 2009, por volta de 14 horas. O sol se esconde entre as nuvens, venta e faz um friozinho de 22ºC. O trânsito, na via W3, está tranqüilo. Na esquina da quadra 103 Sul, há uma banca de revista. E, entre prédios residenciais à direita e à esquerda, o Centro de Ensino Fundamental 03 (CEF 3). De fora de suas grades, a escola parece vazia. O portão verde de ferro está semi-aberto.

Na entrada do colégio, cujas paredes são brancas com detalhes verdes, está o porteiro – simpático senhor negro de quase 1.80m de altura. Já se sente o gostoso clima de escola pelo zum-zum-zum da criançada nas salas de aula. Na coordenação, tudo corria bem, até dois alunos serem suspensos por atirarem bolinhas de papel no professor – estavam enfurecidos. Um sinal para os alunos mudarem de sala toca às 14h50min. Fuzuê nos corredores. Minutos depois, tudo está calmo novamente.

Gauchês – Para uma turma de quinta série, a professora de ciências Rosilaine Gomes de Andrade dá aula sobre água e energia. Com um sotaque “diferente”, espécie de “gauchês”, Rosilaine explica aos alunos o que é e como funciona uma usina hidrelétrica. No fim da aula, pede-lhes que pesquisem na internet e façam a lista de todas as usinas hidrelétricas construídas ou em construção no Brasil que conseguirem achar.

Os alunos da quinta série não se saíram mal no trabalho. A maioria conseguiu fazê-lo graças ao auxílio da Wikipedia. Em algumas folhas de papel ofício era prazeroso ver bordas coloridas, cabeçalho, o cuidado com a letra, enfim, o capricho com que listavam as hidrelétricas. Até os menos caprichosos conseguiram fazer suas listas.

Moinhos – O uso de energia hidráulica foi uma das primeiras formas de se substituir o trabalho animal pelo trabalho mecânico, de início para bombeamento de água e para a impulsão de moinhos de grãos. Seu sucesso como fonte de trabalho se deu pela disponibilidade de recursos (água), facilidade de aproveitamento e, principalmente seu caráter renovável.

A energia hidráulica resulta basicamente da irradiação solar (provém o ciclo da água) e da energia potencial gravitacional. Ao contrário de outras fontes de energia renováveis, ela representa uma parcela significativa da matriz energética mundial. Atualmente, é a principal fonte de energia para mais de trinta países, incluindo Canadá, EUA e o Brasil. No total, representa cerca de 17% da obtenção da eletricidade no mundo.

Principal fonte – Na América do Sul como um todo, a energia hidráulica é a principal fonte de energia elétrica. Tal fato se deve a uma geografia propícia e rica em recursos naturais. Para obter-se energia elétrica através de recursos hídricos é necessário aproveitar uma queda d’água ou uma propulsão causada pela massa da água.

Dados apresentados pelo Ministério de Minas e Energia mostram que o Brasil é um dos países mais dependentes de energia hidrelétrica no mundo. O país tem cerca de 600 barragens, e na América Latina lidera o ranking, seguido pela Argentina com 101, e depois pela Venezuela, que possui 72 barragens.

Junto com Paraguai, o Brasil possui a maior hidroelétrica do mundo, com a capacidade de aproximadamente 12.600 megawatts. No entanto, mesmo com todo o benefício gerado a partir da construção de hidrelétricas não é possível ignorar os impactos sociais e ambientais que essas barragens provocam.

Tipos – Algumas localidades dão condição natural para a obtenção da energia; porém nestes casos apenas Centros Geradores de Hidreletricidade (CGH) são construídos. Os CGHs produzem no máximo 1 mw (Megawatt) de energia elétrica em sua função plena.

Para a produção em grande escala de energia elétrica, grandes barragens são construídas. As PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) variam sua produção de 1mw até 30mw e as UHEs (Usinas Hidrelétricas), geradoras de no mínimo 30mw, necessitam da formação de lagos artificiais em suas barragens para o abastecimento e para a movimentação das imensas bobinas de propulsão. Quanto maior a usina, maior o lago e maior a produção de energia.

Importância – As usinas hidrelétricas estão entre as principais fontes de produção de energia elétrica do mundo. Abastecem zonas agrícolas, residenciais e industriais. Diante da atual crise mundial de energia, grupos econômicos nacionais e estrangeiros, na intenção de dominar as fontes energéticas, mostram-se cada vez mais interessados na construção de barragens.

Na maioria dos países desenvolvidos – como os EUA, Europa e Japão –, os principais rios já foram utilizados para a construção de usinas. Nestes países não é mais possível a construção de barragens. Assim, a “indústria de barragens” pressiona novas regiões no mundo para manter seus negócios e faturamento.

Em potencial hidrelétrico, o Brasil perde apenas para Rússia (13%) e China (12%). Cerca de 70% de seu potencial tecnicamente aproveitável ainda não é utilizado. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a região Norte possui 64% do potencial a aproveitar, a Sul tem 21%, 8% estão na região Sudeste, 3 a 4 % no Nordeste e 2 a 3% no Centro-Oeste.

Impactos negativos – Tudo muito bonito e tudo muito funcional, porém existe um outro lado que ainda não foi citado. Na implantação desses grandes lagos, algumas questões, tanto ambientais quanto sociais, devem ser levadas em conta, como a biodiversidade do local, o próprio ambiente ou paisagem, se se preferir, e comunidades humanas ribeirinhas ou regionais que sofrem mudanças com essas atitudes.

Animais são expulsos de seu habitat no início de obras como essas, ou sofrem gradualmente mudanças de hábito. Na construção de uma barragem, paisagens são reconstruídas, áreas que tinham serras, campos, plantações, criação de bovinos são substituídas por uma imensidão de água, paredões de concreto e centena de aparatos que dão sustento às barragens ou usinas.

Ribeirinhos – Outros atingidos diretamente e negativamente pela construção de hidrelétricas são as populações ribeirinhas, tanto próximas às barragens em si ou no curso normal de rios e lagoas desviadas para o abastecimento das mesmas, e também comunidades rurais que têm suas casas expropriadas a partir de acordos, alagadas ou destruídas, e se vêem obrigados a abandonar toda uma história de vida e se ordenarem, algumas vezes, até em outra situação como a urbana.

Ainda que continuem no local, precisam mudar seus hábitos, costumes e passar a usufruir do espaço de outra maneira, como é o exemplo de alguns criadores de gado que trocam seu foco econômico, deixam a pecuária e investem na piscicultura (criação de peixes) para pesca esportiva, pesque-pagues e também investimentos em hotelaria. Várias pousadas crescem ao redor das lagoas de barragens.

Polêmicas – Desde a década de 70, a construção de barragens no Brasil tem gerado grandes polêmicas e transtornos. Segundo especialistas do Banco Mundial e o Relatório Final da Comissão Mundial de Barragens (WCD), essas obras tiveram os mais adversos impactos nos últimos 40 anos: empobrecimento e deslocamento de pequenos agricultores, divisão desigual de custos e benefícios, destruição de ecossistemas, entre outros.

Estimativas apontam que cerca de 40 a 80 milhões de pessoas foram deslocadas nos últimos 50 anos. As barragens de Itaparica e Sobradinho foram responsáveis pelo deslocamento de cerca de 120.000 pessoas.

Resistência – Na primeira metade da década de 80, as populações afetadas começaram a protestar contra os impactos negativos que esses projetos causavam. Esses pequenos grupos receberam o apoio de ONGs e setores progressistas de igrejas e universidades. Aos poucos, foram se consolidando movimentos sociais de extensão regional e nacional e começaram a cobrar do governo brasileiro medidas de regulamentação.

Destes protestos surge a adoção em 1981, 1986 e 1987 da legislação ambiental nacional que estabelece um processo de licenciamento ambiental, que vem acompanhado de uma série de estudos, exigidos pelo Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, para a implantação de usinas hidrelétricas. Durante o mesmo período, os movimentos formados no início da década se articularam para, em 1989, formar o Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens (MAB).

Necessidades industriais – O setor elétrico brasileiro foi reestruturado. O governo, visando atender suas necessidades industriais, começou a incentivar a formação de consórcios de empresas privadas que gerassem energia. As empresas estatais dependiam do BIRD para obter recursos para os investimentos e este foi o argumento utilizado para privatizar o setor. Assim, alguns projetos de construção de barragens foram criados como o da Bacia do Alto Rio Doce na Zona da Mata de Minas Gerais.

Estudos da Eletrobrás e do Governo Federal apontam 1.443 novos projetos de barragens, que se encontram inventariados e/ou em análise de viabilidade. As barragens já expulsaram aproximadamente mais de 1 milhão de pessoas no Brasil.

Sem emprego e sem casa, a maioria das famílias acaba se abrigando nas periferias das grandes cidades. Pelo fato de não haver legislação que assegure e estabeleça os direitos dos atingidos pelas barragens, nem algum órgão público responsável pelas indenizações e reassentamento dos atingidos é que surgem movimentos como o MAB.
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Rafael de Carvalho

Homoafetividade: termo novo, no rumo de tempo novo, sem homofobia

Dignidade de homossexuais ainda é ferida cotidianamente. Letícia Maria vislumbra um mundo em que homossexualidade não seja vista como diferença, mas como algo que deixa as pessoas mais felizes


Rafael de Carvalho Gomes

– Olha, lá vai o viadinho...
– Ela é sapatão...
– “Bissexual”? Isso não existe são todos um monte de bichas...”


A manifestação de preconceitos em relação à orientação homossexual costuma surtir efeitos: pessoas se isolam, se escondem, se ocultam e se privam de exercer seus direitos, até mesmo, de agir naturalmente e ser simplesmente elas mesmas.
Apenas em 1991 o homossexualismo deixa de ser visto como doença psicológica pela Organização Mundial da Saúde. Desde então, a nomenclatura “homossexualismo”, que denota enfermidade, foi alterada para homossexualidade.

Escolha – Psicólogo, especializado em sexologia humana, Paulo Roberto Britto diz que um jovem homossexual não entra na vida homo por escolha, ou como é comumente dito, por opção.
Ser homossexual é uma condição, assim como ser heterossexual também é uma condição humana. “Ninguém chega a um homem ou mulher héteros e pergunta: ‘você é hétero desde quando?’.
Para Paulo Roberto Britto, o gay ou a lésbica nasce homoafetivo, assim como os heterossexuais nascem heteroafetivos. Ninguém de um dia para o outro cria uma preferência para seguir; não vejo motivos para se fazer uma pergunta desse tipo a um homo”.

Problema – Hoje o maior problema para o homossexual, argumenta o psicólogo, é o preconceito ou a falta de aceitação, dele mesmo ou de familiares ou amigos. “O maior problema da homossexualidade, não está no homossexual ou na prática homossexual, e sim na discriminação a que o próprio homo se remete ou é remetido”.
O que define a sexualidade é apenas o tipo de afetividade que uma pessoa pode seguir na sua vida. Ela pode ser heteroafetiva, ou homoafetiva e até mesmo ter as duas afetividades. Isso em nada está ligado à “criação”, pai ou mãe “ausentes”, históricos de abuso e até de “genes”:
“Se esses motivos influenciassem mesmo, filhos de mesmo pai e mãe iguais teriam que ser obrigatoriamente todos gays ou todos héteros – ou toda pessoa abusada seria necessariamente homoafetiva, o que não ocorre de fato”, argumenta o sexólogo.

Terapias – Quando perguntado sobre tratamentos psicológicos, que pessoas homossexuais procuram ou são encaminhados por familiares, Paulo Roberto Britto responde que, no caso dos homoafetivos, que se vêem com problema e precisam de tratamento para se livrar, ele tenta indicar um tratamento para aumentar a auto-estima.
Já quando parentes o procuram, ele indica tratamento para essas pessoas de aceitação de diferenças. “O problema não está no gay ou na lésbica”, diz, “e sim em quem não consegue conviver com esses elementos sociais em harmonia, por que ai a pessoa também não saberá lidar com o negro, com o pobre, com o deficiente, etc.”

Espaços – Para Paulo Britto a sociedade e a mídia já vêm abrindo espaços maiores para os homossexuais. “Já há o retrato de forma séria e bem sucedida em novelas, séries internacionais e etc.”, complementa.
“A sociedade, hoje, não se importa tanto com a sexualidade individual, existe o preconceito, mas estamos numa ‘era’ de abertura, que necessita ainda da libertação de antigos conceitos de isolamentos, hoje não tão necessários.”

Novidades – Na conversa com jovens homossexuais, percebe-se uma visão mais renovada do homossexualismo; mais liberdade de comunicação e formação de grupos homossexuais; menos correspondência a “estereótipos” (os homens não são “efeminados” e nem as mulheres são “masculinizadas”). As pessoas não demonstraram preocupação com se expor em entrevista.
Hoje em dia homossexuais não precisam mais viver isolados. “Meus amigos, grande maioria sabe, pois também são homossexuais ou bissexuais. Como diria uma velha amiga minha ‘o mundo é gay, o resto são meramente aparências’”(risos), afirma Fernanda Santana, de 20 anos.
Com certeza, ser homossexual é mais seguro do que há cem anos, mas a sua dignidade pessoas ainda é ferida cotidianamente, afirma Pedro William, 21anos quando perguntado a respeito do preconceito. “Tento buscar forças para suportá-lo e superá-lo”, diz.

Histórias – Apesar dessas mudanças, todas sofreram ou presenciaram episódios de preconceito contra conhecidos, e até citam exemplos. “Estávamos saindo de carro, quando passamos por certa ‘blitz’ de rotina e mandaram parar o carro, revistaram e tal; daí quando viram que se tratavam de homossexuais, falaram: ‘pode passar, isso aí é um bando de viado’, foi muito constrangedor”, conta Pedro Willian.
“Já presenciei, sim. Em parte foi comigo também”, diz Lucas Queiroz, de 19 anos. “Estava em um bar GLS, daí chegaram os ‘polícia’, que fecharam o estabelecimento. Não chegaram a me destratar, mas vi gente sendo. Enfim, foi uma típica ação preconceituosa.”
Sonhos – Eles vêem, num futuro não muito distante, um mundo mais igualitário. Um mundo sem homofobia é o mundo em que cada um vai poder ser ele mesmo sem pensar na aceitação do próximo.
Letícia Maria, 25 anos, ressalta: “vejo um mundo mais igualitário daqui a uns 50 anos, em que a homossexualidade não seja mais vista como uma diferença e sim como algo que deixa as pessoas mais felizes (...) e sei que de algum modo eu estou participando dessa mudança apenas por estar aqui prestando essa entrevista”.
Lucas Queiroz complementa: “Já existem vários locais em que me sinto à vontade em público, em que posso andar de mão dada, claro, sem abusos, mas já é um bom início, talvez daqui um tempo ande assim em qualquer lugar".

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Rafael de Carvalho

Pitty - Máscaras

Diga!
Quem você é?
Me diga!
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida...
Tira!
A Máscara
Que cobre o seu rosto
Se mostre
E eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro
Jeito de ser...
Ninguém merece
Ser só mais um bonitinho
Nem transparecer
Consciente, inconseqüente
Se preocupar em ser
Adulto ou criança
O importante é ser você...
Mesmo que seja estranho
Seja você!
Mesmo que seja bizarro
Bizarro! Bizarro!
Mesmo que seja estranho
Seja você!
Mesmo que seja...
Tira!
A Máscara
Que cobre o seu rosto
Se mostre
E eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro
Jeito de ser...
Ninguém merece
Ser só mais um bonitinho
Nem transparecer
Consciente, inconseqüente
Sem se preocupar em ser
Adulto ou criança
O importante é ser você...
Mesmo que seja estranho
Seja você!
Mesmo que seja bizarro
Bizarro! Bizarro!
Mesmo que seja estranho
Seja você!
Mesmo que seja...
Meu cabelo não é igual
A sua roupa não é igual
Ao meu tamanho, não é igual
Ao seu caráter, não é igual
Não é igual, não é igual
Não é igual...
I had enough of it
But l don't care
I had enough of it
But l don't care
I had enough of it
But l don't care
I had enough of it
But l don't care...
Diga!
Quem você é?
Me diga!
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida...
E o importante é ser você
Mesmo que seja estranho
Seja você!
Mesmo que seja bizarroBizarro! Bizarro...
Mesmo que seja estranho
Seja você!
Mesmo que seja bizarro
Bizarro! Bizarro!
Mesmo que seja estranho
Seja você!
Mesmo que seja bizarro
Bizarro! Bizarro!
Mesmo que seja estranho
Seja você!

Reconheceram? Não? Sim? Essa mulher sensual é o maior nome do rock nacional da atualidade, sim a Pitty! Posando para fotos no estilo Pin-up e sendo simplismente perfeita, sexy, feminina e instigante! Detalhe, está gravando seu novo CD e tudo pode ser acompanhado no site www.pitty.com.br o link direto é http://www.pitty.com.br/256tonsdecinza/, confiram... já tem o vídeo de sua nova música "Medo".

Além dessas fotos ainda tem outras em que ela se carateriza como uma espécie de personagem de "I love Lucy".

Fael d'CarvalhoO

Foto do Dia^^


LuLu Santos - ComO Uma Onda

Nada do que foi será


De novo do jeito que já foi um dia


Tudo passa


Tudo sempre passará




A vida vem em ondas


Como um mar


Num indo e vindo infinito




Tudo que se vê não é


Igual ao que a gente viu há um segundo


Tudo muda o tempo todo no mundo




Não adianta fugir


Nem mentir pra si mesmo agora


Há tanta vida lá fora


Aqui dentro sempre


Como uma onda no mar!


[...]

A chance e o medo de sentir

Covarde é aquele que não vive algo que quer muito,
Por medo de suas conseqüências.

Covarde não é aquele que tem medo de chorar por amor,
Mas sim aquele que não ama por medo de chorar.

Todos tem a chance de amar,
E tem o medo,
O risco, o receio.
E quando esse medo é maior que a vontade,
Vem o arrependimento.
Afinal, temos à mão a faca e o queijo,
E jogamos os dois no lixo.

Havia a vontade,
Havia a chance,
Havia o medo
Houve o desperdício...
Há o arrependimento!
Vontade tive, mas o medo me possuiu!

Medo que ouvissem,
Medo que vissem,
Medo do “não”,
E o medo do “sim”.
Medo de me entregar,
Medo de sentir o que não posso sentir.

Sentir-me estranho ao teu lado me assusta,
Eu não consigo te olhar...
E quando conversamos meus olhos se voltam,
Procuram mais aos teus lábios do que aos seus olhos,
Há o medo que percebam,
Há o medo que você perceba.
Talvez seja desejo, talvez seja medo
Medo de te olhar,
Medo de não resistir,
Medo de me entregar,
Medo de sentir...

E quando está longe tenho até medo de te procurar,
Parecer bobo, ou te vigiar.
E acabo me tornando mais bobo por não te procurar
Mesmo pelas motivos mais sérios, evito...
Tudo isso por medo da chance de sentir algo.

Agora não sei se outras chances aparecerão...
Mas o medo de sentir persevera,
E o receio e a ansiosidade por outra chance
Andam juntos
Pois enquanto penso assim,
Haverá chances e vários medos de sentir!
Fael d'CarvalhoO