
Tenho eu o leve defeito de desconfiar,
Tenho também o defeito de não confiar.
Desconfiar do outro
E não confiar em mim...
Tenho medo...
Da solidão por não ter alguém,
E, também da prisão do envolvimento.
Com receio de ser só ou mal acompanhado
Acabo espantando a possibilidade de ser bem acompanhado
Tenho ciúmes...
Até do meu apego,
E não me sinto bem quando não me apego...
Apego-me aos desapegados,
É aí que tenho ciúmes...
Tenho receio de me enganar,
Mas tenho receio de não viajar, sonhar com algo ou alguém,
Sem sonho não há conquista
Nem motivação...
E também não haveria a decepção.
Talvez, eu tenha nascido para ser só,
Mas tenho certeza que não quero ser.
E acredito que só não serei.
Monto minha alcatéia de lobos semelhantes a mim,
Em que dois machos ou duas fêmeas não precisam brigar,
Nem machos e fêmeas se distinguir...
Somos lobos dóceis e sentimentais,
Que de tempo em tempo,
Preferem uma jornada solitária,
Ou ainda a vida de cão doméstico.
Somos diferentes e somos iguais.
Todos uivamos, porém de modo diferente,
Cada um para sua lua.
Cada lua acaba sendo um lobo ou uma loba
Que uiva de volta
Andamos juntos e separados,
Cada qual para seu destino.
Entre lobos e lobas,
Ouvimos todos os nossos uivados.
E assim a vida continua com defeitos, medos, ciúmes, solidão e união,
Sempre nessa alcatéia.
Somos lobos dóceis e sentimentais,
Que de tempo em tempo,
Preferem uma jornada solitária,
Ou ainda a vida de cão doméstico.
Somos diferentes e somos iguais.
Todos uivamos, porém de modo diferente,
Cada um para sua lua.
Cada lua acaba sendo um lobo ou uma loba
Que uiva de volta
Andamos juntos e separados,
Cada qual para seu destino.
Entre lobos e lobas,
Ouvimos todos os nossos uivados.
E assim a vida continua com defeitos, medos, ciúmes, solidão e união,
Sempre nessa alcatéia.

Fael d'CarvalhoO