Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Eu e aquele Rascunho

Lembra como tudo começou?
Os planos, os riscos e rabiscos?

Lembra do que falávamos, escrevíamos?
Tudo o que prometemos?

Lembra dos bilhetes com rasuras?
Das falas mal ditas?
Sim... Aquelas com as quais construímos tijolos de nossa muralha
Lembra do esboço de final feliz?

Tudo era rascunho...
Quando passado a limpo,
Arrumada a escrita,
Justificado e justamente pontuado
Simplesmente acabado e descartado.

Bom mesmo é o rascunho,
É verdade de momento, não modificado.
Bom mesmo é o rascunho,
É dito, é escrito, é a mão e o momento,
É composição e é sagrado.
Bom mesmo é o rascunho,
Que sem choro e sem vela é descartado.
Bom mesmo é o rascunhos,
Que mostra os teus erros.
Bom mesmo é o rascunho...

No trabalho final todo erro é reparado.

Fazendo analogias entre atos e pessoas
e, agora, feliz em ter dado errado, Fael d'CarvalhoO

Eu, só, comigo mesmo, mudo!

Eu, só, comigo mesmo,
Me sinto distante
E me sinto próximo
Me sinto pior que muitos
E melhor que mais alguns

Eu,só, comigo mesmo,
Me sinto melhorado e piorado.
Melhorado por ter aprendido a amar,
Piorado por me deixar amar
E instintivamente me proibir ser amado.

Eu, comigo só
Sei que pouco sei
Da vida, do ar, da água e da terra,
Assim como das flores.

Eu, comigo só
Sei que sou como uma flor,
Ora presenteio o amor,
Sou consolo de mágoa,
Ora velo o corpo sem vida

Eu, comigo só
Sou o mesmo,
A mesma beleza,
Os mesmos espinhos,
Mas renovo a minha seiva.

Mesmo tirado de minha raiz,
Separado de minhas folhas
E transformado em brinquedo de “mal me quer, bem me quer”
Eu, apenas, me renovo.

Eu aqui, só, comigo mesmo
Grito em um só tom
“Viva a metamorfose e a evolução”Eu só, comigo mesmo, vivo.

Abandonando o passado, Fael d' CarvalhoO

Mudar no silêncio

Eu mudo, mudo.
Mudo como muda de planta no mundo.
Mudo à medida que cresço
E mudo no mais puro silêncio

Fael d'CarvalhoO

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O mito...

Vejo manchas,
Ouço vozes,
Não enxergo bem,
Escuto pouco, aproveito um quase nada...

Manchas e vultos me impossibilitam,
Vozes distantes me tiram a atenção,
Me descentralizo,
Me disconcentro,
Me perco entre duas velhas mulheres.

Fujo sem querer,
Tento voltar e não consigo,
Como se a Dona Dispersão
Me prendesse pelo pé em seu terreno

Eu, acorrentado, fico olhando a Dona Atenção
Caminhando sozinha, bamba e debilitada.
Olha para trás e me vê,
Talvez me espera para lhe dar apoio, mas prossegue.

E a dona atenção sobe e desce a ladeira.
Ora a vejo, ora não vejo
E ora a menosprezo

Dai me dou conta que existem duas senhoras,
Que sempre me acompanham e que são brigadas,
Aliais me disputam todo o tempo.
De um lado a Dona atenção, simpática e carente.
Do outro a Dona Dispersão, que prende e prejudica...
É divertida e maldosa...

E descubro: Não quero viver nesse mito, tenho que voltar ao trabalho.

Durante o Trabalho, Fael d'CarvalhoO

Fato...

Hoje acordei meio disléxico...

Como se minha cabeça estivesse remexida e abalada...

Como de meu cérebro estivesse em um liquidificador...

Como se toda a massa cefálica se misturasse ao vácuo...

E nada faz sentido,
Nada tem início, meio ou fim.

Minha audição me engana,
Meus olhos estão lentos
E minha língua travada.
Meus reflexos me traem.

Só espero que essa dislexia logo passa...

Não escrevo com meu lirismo,
Nem uso de analogias,
Descrevo agora só um fato,
Como se as ocasiões não me fossem inteligíveis .

Sinto minha mente fria,
Meu corpo travado,
Nem me impressiono se hoje eu fizer erros,
E, pela primeira vez em muito tempo, me sinto incapaz...
Esse é meu fato.

Que essa dislexia logo passe!


Preocupadamente, Fael d'CarvalhoO