Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Outro dia...

Como antigamente, outro dia vi crianças brincando numa praça próxima de minha casa, os meninos se divertiam naquele lugar.
Lembro-me da quadra de esporte em que desde criança brincava, jogava bola e vôlei com amigos que moravam perto. No quadradão, além da quadra de esporte, havia uma paróquia. Havia muito espaço na lateral da quadra e atrás da igreja. Neste grande espaço não havia quase nada. Além de umas barras em que as pessoas malhavam, só tinha grama. Lembro-me, na minha infância, de soltar pipa, brincar de pic-cola, pic-pega, brincar de briguinha, brincar com tazos e bafo e jogar bilocas com meus amigos neste espaço. Depois de um tempo, alguns amigos se mudaram, se não de residência, de atitude, e eu também mudei. Aos poucos vi a quadra e todo aquele espaço destinado ao lazer se esvaziar, exceto quando as pessoas mais velhas, adultos ou adolescentes, marcam um jogo de futebol.
Notei que o local em que brincava quando era criança já não era mais ocupado por crianças e sim pelas mesmas pessoas que brincavam na minha época, agora já adultos, mas em menor quantidade. Pensei o porquê disso... Será que as crianças não gostam do espaço, os pais e as mães o acham perigoso, as crianças não brincam mais de bola, de correr... não sei... mas notei também que a quadra e o quadradão estavam do mesmo modo de quando eu brincava, com um porém: o tempo havia passado. As grades da quadra estavam despedaçadas, o portãozinho que dava acesso ao interior da quadra nem existia mais, a grama que havia no espaço da lateral da quadra e atrás da igreja também estava praticamente morta. Havia tantos cacos de vidro que, até calçadas de tênis ou sapatos, as pessoas evitavam passar por ali. À noite o local era freqüentado por pessoas meio que assustadoras que se drogavam e, perdão pelo possível equivoco, pareciam que nos assaltariam na primeira chance. O quadradão nunca teve uma iluminação digna, exceto na quadra. Vi ótimos motivos que me fariam não ir ali e nem deixar um filho meu freqüentar o local.
Pouco após minha observação, conversando com amigos de infância (alguns nem são mais tanto amigos meus como eram), vi que não apenas eu sentia com o abandono do espaço e que quase todos já haviam notado há tempos e feito as mesmas observações.
Algum tempo depois, talvez pela reclamação da marginalidade no local, foi instalado um poste enorme bem no meio do quadradão. Lembro que no dia em que o poste foi instalado a diferença foi facilmente percebida. Algum tempo depois instalaram postes normais nas laterais da quadra também, não sei se teve alguma ligação, mas muitos dos marginais sumiram. Muitas pessoas voltaram a freqüentar o espaço, alguns para malhar nas barram que estavam lá, meio que enferrujadas, outros apenas para completar time nas partidas de futebol, vôlei e basquete que freqüentemente aconteciam à noite. Parte do problema para mim foi solucionado, porém não o que mais me perturbava: onde estavam as crianças? Melhoraram a parte da noite, porém, geralmente, crianças não ficam na rua, nem nestes espaços à noite.
Após um tempo, começaram uma rede de reformas naquele espaço, rodearam e cruzaram bem no meio o quadradão com calçada, ficando quatro quadrados do mesmo tamanho, um ocupado pela paróquia, outro pela quadra de esporte e os outros dois pelos espaços livres da lateral das quadras e detrás da igreja. Limparam o local, arrancaram toda a grama que já parecia morta e plantaram outra no lugar. No inicio, o local ficou um barrão sem fim, mas depois que a grama enraizou ficou muito bom. Uma semana após terem plantado a graminha, apareceram algumas crianças. Um ambiente que mudou, do deserto que se via naquele lugar durante a tarde a um lugar em que as crianças estavam brincando de dar mortais e estrelinhas.
Mais algum tempo depois, construiu-se um playground, com escorregadores, balanços, gangorras. Da minha casa não tinha a vista para esse playground. Alguns dias depois passei na calçada pelo outro lado do quadradão, quando voltava da casa de um amigo, e vi várias crianças, umas bem pequenas, acompanhadas de suas mães, irmãs ou irmãos mais velhos. Recordei-me de minha infância, naquele momento vi cenas da minha vida que passei naquele local.
Reformaram, também, a quadra de esporte e transformaram o quadradão numa praça, encheram de bancos as laterais do calçamento, plantaram árvores, o quadradão ficou cheio novamente. Simultaneamente vi crianças brincando de corte, correndo, brincando no playground, jogando bola na quadra. A minha única decepção foram quatro faixas postas nas extremidades das duas calçadas que cruzavam o quadradão: “Administrador Paulo Roriz os moradores de Santa Maria agradece a construção da praça da 117” (sic). Hum... Prefiro não comentar.
Outro dia quando cheguei em casa, minha mãe comentou sobre a quadra comigo e outros parentes, explicou toda a visão dela, inclusive criticou videogames e computadores e encerrou o assunto dizendo: “como antigamente, num outro dia vi crianças brincando numa praça próxima de minha casa, os meninos se divertiam naquele lugar.”

Rafael de Carvalho

Representações Femininas no Desenho “Os Padrinhos Mágicos”

Ao longo do semestre, nós aprendemos algumas teorias da comunicação que reúnem estudos e embasam a prática profissional, nos permitindo compreender considerações importantes acerca da influência dos meios de comunicação de massa e dos receptores. Dentre as teorias destacamos a de Representações Sociais e os Estudos Feministas, por tratarem da perpetuação de valores, conceitos, paradigmas, definições, imagens, símbolos e signos.
Em relação às representações, percebemos que as instituições sociais, principalmente a mídia, ajudam a criar, recriar, estabelecer, difundir e reforçar as representações, estigmas, paradigmas, estereótipos e preconceitos existentes ou latentes na sociedade.
Nos Estudos Feministas, vemos que os meios de comunicação têm o poder de influenciar na determinação e consolidação dos papéis sociais, de acordo com o gênero, como apresentar, por exemplo, representações de uma falsa “perfeita mulher”, que dita os parâmetros ideais para as demais. Simone de Beauvoir explica a “criação” social feminina, tanto ideológica, quanto física: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”.
Com base nesses dois estudos, analisaremos o desenho animado “Os Padrinhos Mágicos” (The Fairly OddParents, em inglês), exibido em vários canais, dentre eles Nickelodeon, Jetix e Disney Channel, na TV por assinatura, e também na Rede Globo. Cada episódio é composto por dois blocos, com aproximadamente dez minutos cada. Já existem sete temporadas, sendo que a primeira foi veiculada em 2001.
O desenho conta a história de Timmy Turner, um garoto de 10 anos, travesso, excluído, reprimido e extremamente obcecado em se tornar popular na escola em que estuda, em Dimmsdale. Tudo o que faz acaba mal. Timmy é apadrinhado por fadas mágicas que são tão atrapalhadas quanto ele: Cosmo e Wanda. O protagonista é filho dos senhores Turner, pais meio negligentes. Vicky é a babá de Timmy.
Na animação, destacamos três personagens femininas: a inominada Senhora Turner, ou “Mãe do Timmy”; o cérebro do desenho, a fada Wanda; e a malvada babá, Vicky. Elas são marcadas por personalidades diferentes, cada uma representando um estereótipo feminino, seja pela quebra de antigos conceitos ou pela reafirmação deles.
Luciana é a Senhora Turner, mas seu nome só é citado no episódio Miss Dimmsdale. Nos outros momentos, ela só é chamada de “mãe do Timmy”, inclusive por todos os personagens, como se ela fosse uma pessoa secundária, uma sombra do Timmy, sem identidade. O fato de pertencer a uma família – Sr. e Sra. Turner – também faz com que perca a sua personalidade.
A matriarca da casa é uma mulher desleixada, que aparece como uma inútil, sempre sorrindo para manter a aparência e o status, inclusive nos momentos ruins. Apesar de trabalhar como corretora de imóveis, aparece em atividades domésticas ou acompanhando o marido, cumprindo o papel da “boa esposa”.
A madrinha mágica Wanda é o contrário da mãe do Timmy. É inteligente, prestativa, racional, e é quem discerne o certo do errado, apesar de ser pouco simpática. A todo o momento dizem que “ela sempre acaba com a diversão”. Não tem “frescuras de mulher”, como escrever em diários e falar de sentimentos. Em contrapartida, ama o marido Cosmo, apesar das burrices dele, como se para se sentir inteira, necessitasse de um parceiro. No episódio “Caindo de Amores”, Wanda canta “Do que as garotas gostam mais”, que são os considerados desejos femininos, dos quais ela partilha sem querer demonstrar, como “gastar bastante sem sentir” e gostar de sentimentos e romance. No episódio “Férias da Wanda”, em que apenas Cosmo realiza os desejos de Timmy, os dois quase destroem a Terra, como se a presença dela fosse vital.
Durona como Wanda, mas negativamente, Vicky é a antagonista da história. Não faz questão de ser a “boa menina”. Na verdade, é um terror e faz tudo por dinheiro. Mesmo sendo babá, não gosta de crianças. É ela quem manda na casa e nos próprios pais. Dominadora, inclusive quando está apaixonada, esse seu jeito faz com que seja mal-amada. Apesar de tudo isso, ela vive “caída de amores” por algum rapaz, inclusive Timmy, que aparece adolescente em um episódio.
Histórias como esta mostram que mesmo as mulheres sendo representadas socialmente de maneiras diferenciadas, cada uma com suas peculiaridades, acabam sendo ligadas a lugares-comuns, conceitos existentes a respeito de seu papel. Ao mesmo tempo em que paradigmas são quebrados, outros são reafirmados, como no desenho, em que apesar das mulheres possuírem muitas qualidades, acabam demonstrando certa carência afetiva pelos homens, como se fosse o ponto fraco de todas elas.

Rafael de Carvalho em Parceria de Bruno Dantas

Problemas no transporte terrestre no DF

O Distrito Federal hoje é uma área urbana surpreendente e vasta, com várias cidades muito próximas, tendo praticamente apenas duas cidades como fonte de grande quantidade de empregos e destinos rotineiros e diários para a população, Brasília e Taguatinga. Essas cidades acabam recebendo um grande fluxo de automóveis, de quase todas as cidades mais próximas. Pistas feitas para comportar certa quantidade de carros em alguns horários chegam a receber até cinco vezes mais carros do que o planejado. Com isso, outros problemas são acarretados, como uma âncora que puxa a corrente afundando pedaço por pedaço até parar o barco. Falta de locais para se estacionar, ruas saturadas de automóveis, trânsito lento, congestionamentos freqüentes e acidentes são alguns dos vários problemas.
Quando a capital federal foi planejada, supunha-se que a quantidade de pessoas que hoje transitam pela cidade seria bem menor. Por não se considerar algumas novas cidades satélites, o gritante crescimento populacional e também as grandes cidades do entorno do DF, que acabam dependendo praticamente do DF para trabalho e estudo, esse planejamento foi ultrapassado. O número de pessoas que transitam nas estradas brasilienses é bem maior do que o esperado. Em 1960, a população do DF era de 140.165 habitantes distribuídos pelas áreas urbanas, as poucas cidades satélites e registros em localidades ainda não urbanizadas ou reconhecidas como cidades. Hoje em dia, a população passa de 2 milhões de habitantes, contando com todos os municípios do Entorno a população passa para mais de 3 milhões de habitantes.
Em maio deste ano o número de automóveis emplacados no DF chegou a 1 milhão. Se o crescimento continuar na mesma proporção, daqui a 5 anos, em 2013, o número aumentará para 1,5 milhão e em 2018 para 2 milhões de carros. Se nossas estradas continuarem com a mesma estrutura e espaços distribuídos da maneira como estão, maximizando os problemas atuais com 1 milhão de automóveis, já em 2013 o trânsito estará em uma situação insustentável. Esses valores referem-se apenas aos automóveis emplacados no DF. Quando se contam os carros que transitam pelo DF e são emplacados em outros estados, os números se tornam mais assustadores.
Alguns pontos críticos no DF em questão de engarrafamentos são as BRs que dão acesso das cidades satélites e do entorno a Brasília. Exemplos: a BR-040, estrada que liga cidades da região sul do DF e Entorno; a BR-020, que dá acesso de Brasília às cidades ao norte do DF e Entorno. A BR-040 tem seu ponto crítico logo na divisa DF/GO (próximo ao viaduto de Santa Maria), que pela manhâ recebe o trânsito de ônibus, caminhões, carros e motos das pessoas que se encaminham para seus trabalhos, escolas e faculdades. Já a BR-020 tem seu pior período entre o final da tarde e início da noite no horário de pico. Situações irritantes que aumentam a condição de stress no trânsito, tudo é insuportável nesses períodos.
Existem também grandes problemas nas estradas parques, como a EPTG, que liga Taguatinga e proximidades a Brasília. A Epia também possui um trânsito bem saturado. Essa estrada conecta Brasília às cidades ligadas à BR-040. A Epia recebe ainda, em um trecho, o trânsito da EPTG na entrada de Brasília. Nessa altura, o trânsito em determinados horários torna-se muito desagradável e insuportável de modo que muitos motoristas preferem desviar desses pontos a enfrentá-los.
Existem ainda locais em que o tráfego de carros é intenso em todo o horário comercial (8h às 18h), dentre eles, o Setor Comercial Sul em Brasília, a Comercial Sul e Norte, em Taguatinga, locais que possuem muitos comércios, microempresas e também dão acesso a áreas residenciais. Nestes locais o transito é, geralmente, muito lento, quase nunca há vagas para estacionamento e até a locomoção de pedestres torna-se complicada.
Existem formas de reverter ou pelo menos conter esse crescimento de veículos e os problemas do trânsito, apresentadas por técnicos. As idéias são variadas e tentam atender todos os problemas. Todas as soluções são vistas como emergenciais e tendem a pesar no bolso dos motoristas para que não comprem mais carros ou que pelo menos não os usem diariamente. Ou a implantação de estacionamentos rotativos e prédios-garagem para esvaziar as ruas dando mais espaço aos carros em movimento. E ainda a utilização do sistema de rodízios de veículos, assim como em São Paulo, em que já se utiliza esse sistema baseado na terminação das placas, dando a cada terminação dias específicos para rodagem. Outra solução apontada é a cobrança de pedágios em áreas criticas. Claro que após esses recursos o transporte público teria que aumentar muito sua frota e melhorar bastante. Soluções como essas já se tornam necessárias no DF, mas também é necessário um tipo de incentivo moralista, uma conscientização prévia e desde cedo do problema para que se possa entender os males urbanísticos causados por esse “enxame” de carros em nossas estradas.

Rafael de Carvalho

É de Baixo que se começa...

O Distrito Federal é um produtor de arte, assim como todo o Brasil. Aqui se desenvolve pintura, moda, fotografia artística, música, dança, cinema e o teatro. Como existem regiões com mais interesses e capacidade de ajudar na divulgação do trabalho artístico, tanto por questões financeiras quanto como urbanas, algumas cidades a população não possui o costume de admirar produções artísticas, ou a densidade populacional é pequena. Por estes motivos e outros, Muitos produtores não têm reconhecimento, algumas vezes por trabalharem em regiões de aspectos sociais e culturais com menos incentivo, tanto por órgãos governamentais ou por verba dos próprios produtores, não há divulgação de seu trabalho pela mídia, não havendo assim receptividade crítica pelo público.
Alguns artistas apesar dessas adversidades ainda conseguem vencer essas dificuldades, e atingem seu objetivo, expõem seu trabalho, conseguem até mesmo reconhecimento nacional. Geralmente acabam procurando cidades em que a vida artística tem mais futuro profissional, como Rio de Janeiro e São Paulo.
Com essa conquista de reconhecimento, vê-se que os profissionais de teatro brasilienses vêm tendo uma grande aprovação; são exemplos grupos como “os melhores do mundo”, “de 4 é melhor!”, e artistas como Murilo Rosa, Ana Paula (Casseta & Planeta) e Nívea Stelmann. Mas como começaram estes artistas? Nenhum deles foi gerado já em grupos profissionais, todos têm suas origens artísticas ou tiveram alguma ligação com grupos desconhecidos, grupos amadores do DF que lhes introduziram a vida artística e os permitiram chegar onde estão hoje.
O teatro no Distrito Federal é basicamente amador ou semi profissional; existem também grupos profissionais, que aos poucos foram conquistando seu status a partir de seu próprio esforço; alguns contando com incentivos externos, como patrocínio outros apenas com sua própria capacidade. Vale ainda apresentar alguns desses grupos emergentes nas satélites.
Em quase todas as cidades existem projetos, trabalhos ou grupos que desenvolvem atividades teatrais. Muitos desses grupos, além de oferecer a Companhia, oferecem também oficinas e laboratórios de contato com o mundo cênico para a inserção de pessoas que ainda não têm familiaridade. Nestes grupos além de se passar técnicas de interpretação, também se desenvolve a desinibição das pessoas além dos palcos, sem se esquecer de questões sociais.
Entre esses inúmeros grupos do DF, em Santa Maria, na Biblioteca Pública de Santa Maria Norte, desenvolve-se à mais de cinco anos um trabalho cênico, pela Companhia de Teatro Barcaça dos Beltranos que oferece seu trabalho de inserção ao mundo teatral a jovens das comunidades de Santa Maria, Gama e proximidades. Atualmente o grupo conta com aproximadamente trinta jovens entre 12 e 31 anos.
Nestes cinco anos de existência, o grupo já passou por várias formações e adaptações ano a ano, mas mesmo com as diferenças sempre se possibilitou o sucesso do grupo em sua trajetória, graças à convivência e união que os componentes aprendem a manter. Em dezembro de 2002, o grupo foi iniciado por Daniel dos Santos, ator, aluno da UNB no curso de Artes Cênicas e diretor da Barcaça dos Beltranos com o intuito de “trabalhar o trágico e o cômico com crianças, adolescentes e adultos”, como diz Daniel.
Durante esse período de cinco anos, a Barcaça dos Beltranos já apresentou vários espetáculos. Após cinco meses de sua inauguração o grupo participou do SESC Esquete Show, realizado pelo teatro SESC Garagem em 2003, 57 esquetes se escreveram e o grupo conquistou o terceiro lugar do júri popular do festival com o esquete “Isso”, escrita por Daniel dos Santos, foi a estréia do grupo em teatros na prática. Em 2003, o grupo estreou seu primeiro grande espetáculo, o “Auto da Compadecida” versão original de Ariano Suassuna, que tornou-se o trabalho principal da companhia nos cinco anos que se seguem, o espetáculo foi apresentado no Teatro Escola Parque, da 306 sul e foi noticiado como destaque do caderno cultural de um dos principais jornais do DF. Em novembro de 2003, no colégio Mackenzie, apresenta novamente o “Auto da compadecida”, dando origem a um projeto do próprio grupo “Mudando de Cena” em que apresentam em instituições e escolas gratuitamente ou cobrando preços acessíveis. Já em 2005 a Barcaça dos Beltranos conquista o Prêmio de Melhor Esquete do Júri Popular do SESC Esquete Show, com a esquete “Ò pátria amada, Portuguesa ou à moda da casa?”, escrita por Guilherme d’Carvalho, uma sátira à política brasileira. No mesmo ano o Grupo brilha novamente, desta vez apresentando o “Auto da Compadecida”, onde mais de 500 pessoas lotaram a Sala Yara Amaral (teatro SESI/Taguatinga), com capacidade para 478 pessoas sentadas, se caracterizando como a terceira maior platéia do projeto “Quartas Cênicas”. O mesmo espetáculo foi apresentado no ano seguinte. Em 2007, numa nova roupagem “O Auto da Compadecida”, adaptado por Helio Gomes mesclando cenas da versão cinematográfica com a obra literária, numa versão mais contemporânea o mesmo teatro recebe novamente um enorme público de quase 500 pessoas.
Em 2008, o Grupo pretende mudar o espetáculo principal da companhia, abandonando saudosamente o “Auto da Compadecida” e substituindo-o por “Grease – no tempo da brilhantinha”, musical que será estreado no primeiro semestre de 2009. Em 2008, o Grupo pretende mudar o carro chefe da companhia, abandonando saudosamente o “Auto da Compadecida” e substituindo-o por “Grease – no tempo da brilhantinha”, musical que será estreado no segundo semestre do ano. Além desse espetáculo em 2008 o Grupo apresenta também Pimbinha de Pedro Bloch, Pluft o fantasminha, A Bruxinha que era Boa, ambos de Maria Clara Machodo como espetáculos infantis e como adulto e juvenis A Cantora Careca de Eugene Ionesco e O Casamento do Pequeno Burguês de Bertolt Brecht fechando o ano em dezembro.
“Hoje a Barcaça dos Beltranos não é apenas um grupo de teatro, mas uma ‘escola’ de teatro” diz Daniel dos Santos quando perguntado sobre o grupo. Segundo componentes da companhia o que se aprende durante os ensaios de teatro pode ser utilizado em vários âmbitos da vida. “O grupo desenvolve atividades cênicas simples que aumentam nossa desinibição e nossa sociabilidade”, afirma Rafael Gomes, 18 anos, estudante. Já Bruna Regina de Sousa, 20 anos, estudante de direito, diz “O grupo me ensina a desenvolver minha interação extra pessoal [...] Não vejo o teatro como meu ganha pão o vejo como um aditivo, até mesmo na minha futura Profissão”.
No teatro se aprende questões fundamentais como a noção de hierarquia e experiência, durante os ensaios vários assuntos “extra teatrais” são passados aos integrantes dos grupos, aprende-se muito a respeito de postura física e moral, trabalha-se simultaneamente a integridade de cada um dos grupos e dos grupos em si.
Pode-se constatar que grupos amadores desenvolvem seu trabalho por todos as partes do DF, desenvolvendo trabalhos que ligam o indivíduo ao grupo e o grupo ao meio social. Não havendo, assim, motivos que expliquem a falta de incentivo a esse trabalho que revela vários talentos, situação contrária ao que ocorre em grupos no Rio de Janeiro, por exemplo, como o grupo Nós do Morro que recebe incentivo tanto governamental como por algumas empresas privadas. O teatro desenvolvido em regiões carentes se torna um escape à criminalidade e uma nova forma de lazer, desenvolvendo a responsabilidade dos jovens envolvidos.

Rafael de Carvalho