Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O perfeccionismo de um Cisne


Como explorar competitividade, empenho, perfeccionismo e meio artístico em um drama psicológico? A resposta é simples e realmente linda. O nome: “Cisne Negro” – “Black Swan”, em seu nome original.

A partir do momento em que é anunciado um processo seletivo de elenco para a remontagem do espetáculo “A Lagoa dos Cisnes”, as jovens bailarinas da Companhia de Balé de Nova York iniciam uma competição em nível pessoal de superação. Entre as bailarinas, destacam-se Nina, vivida majestosamente por Natalie Portman e Lily, interpretada em êxtase por Mila Kunis. Daí em diante uma suposta competição entre as duas se instaura. Nina é perfeita, leve e passiva, perfeita para viver a Rainha dos Cisnes, já Lily e sensual, determinada, fugaz e extremamente sexy, a mais indicada para encarnar o Cisne Negro. Só há um problema, as duas personagens do espetáculo devem ser encarnadas pela mesma bailarina.

O empenho de Nina a consagra protagonista de “A Lagoa dos Cisnes”, mas não a trouxe segurança nos papéis. Ela teria, agora, que se esforçar para liberar seu lado mais selvagem. E para isso trava uma batalha com si mesma e uma suspeita concorrência desleal travada por Lily. Para não revelar muito mais sobre o filme o resumirei a história em uma frase: A pior inimiga de Nina é ela mesma.

Quanto a produção técnica, todas as interpretações são magníficas de Nina e Lily ao organizador do espetáculo, o bruto e másculo Thomas Leroy, interpretado por Vincent Cassel e a mãe superprotetora, a excessivamente suspeita Erica ou a curta e sinistra participação de Winona Ryder, como a forçadamente aposentada estrela da companhia, Beth. As interpretações são marcadas principalmente pela noção do menos é mais. Olhares significantes e expressões faciais e corporais que não poderiam ser substituídas por mil palavras.

A fotografia é linda e a exploração da iluminação é constante. As ilusões se mesclam entre a escuridão e a luz e nos envolvem no êxtase das cenas de forma que nos mesmos não sabemos o que realmente é realidade do filme ou ilusões causadas pelo perfeccionismo de Nina. O figurino é simplesmente lindo e expressa bem o momento retratado, seja o ensaio, no espetáculo, na balada, em casa ou na cama (rs).

Um filme que lida com perfeccionismo acaba sofrendo do mal que retrata, não que isso seja ruim. O retrato da competitividade entre artistas para se tornar o melhor e do empenho em busca da própria perfeição são retratados de uma forma perfeita, sem mais, sem menos, se tornou um dos melhores - se não o melhor – filmes do ano.


Fael d' Carvalho

Existe vida após Burlesque?


Sério mesmo, Burlesque me surpreendeu é um filme divertido, dinâmico e meche muito com a libido humana. Muito sensual, sem contar as danças magníficas com coreografias surpreendentes acompanhados pela voz de Christina Aguilera e algumas outras artistas que variam de Marilyn Monroe à Madonna.

É um filme lindo nas possibilidades de sua proposta. Muita cor, jóias, figurinos ousados, músicas boas, além de uma trilha sonora envolvente, coreografias perfeitas além de uma ótima edição das cenas e a fotografia fascinante.

Na interpretação, Christina Aguilera não faz uma Ali ingênua, como todos esperavam, pelo contrário faz uma jovem sexy, esperta, decidida e acima de tudo dona da história, realmente domina as cenas. A Xtina está simplesmente linda e radiante e surpreende em sua estréia nas telonas, dou destaque a entonação que dá às falas e às expressões faciais que às acompanham. Outros destaques no filme são Cher que vive Tess e Stanley Tucci, que interpreta o gay Sean, fazem uma dupla hilária, com um humor um tanto quanto ríspido que arranca risadas. Os dois coordenam o Burlesque Lounge. Além dos três personagens, Cam Gigandet, que encarna Jack Miller, é o par perfeito para a interpretação de Christina Aguilera e a responde em todos os âmbitos da sensualidade ao toque cômico.

Quem for assistir Burlesque não espere um filme cult e esqueça alguns preconceitos - sensualidade e homossexualidade são alguns dos temas latentes do longa -. É um filme pra diversão com lindas cenas de danças, boas músicas e personagens caricatos. Mesmo com o roteiro meio que "batido", o filme explora suas possibilidades, é muito bom e empolgante.

Fael d'Carvalho