Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Bilhetes e Recados do passado

Num certo dia recebi um bilhete,
Papel amarelo,
Letras garrafais,
Juras de amor,
Promessas vagas,
Promessas quebradas,
Palavras bonitas,
Palavras sem valor,
Meramente estético,
Meramente vazio,
Guardado em minha carteira.

Mais bilhetes chegaram-me às mãos
Nesses, palavras de dúvidas,
Uso do sarcasmo,
Palavras repetidas,
Repetições novas,
Letras de minhas músicas preferidas,
Demonstrou me estudar
Esses me foram mais reais que o primeiro

Depois só recebia recados
Com desculpas,
Com lamentos,
De “disses e me disses”,
De verdades,
Do que eu esperava,
Do que eu não esperava...
Até recado de morte!

O bom de passar recados
É não ter que olhar na cara do receptor...
Pelo menos no bilhete se tem emoção
No recado não
Geralmente nem é pronunciado pelo verdadeiro emissor
Talvez a mensagem passada nem seja a que rebemos
O ser humano amenisa...

Talvez essa morte,
Era dos sentimentos de ambos
E não de quem morreu
Primeiro os da pessoa que matou no recado
Depois os meus que morreram quando ouvi.

Definitivamente,
Exceto os ditos cara a cara,
Ou que me sejam entregues por quem os cria
Odeio recados!

Fael d'CarvalhoO

Perfumes do teu corpo

Se dizem que os melhores perfumes estão nos menores frascos
Do teu pequeno corpo emanam as melhores essências

Da mais forte a mais fraca,
Todas me agradam

Teu cheiro de aparição
Teu cheiro de trabalho
Teu cheiro de determinação

Teu cheiro de meu amor
Teu cheiro de querida
Teu cheiro de abraço
Teu cheiro de beije-me

Teu cheiro de banho recém tomado
Teu cheiro de fogo
Teu cheiro de corpo colado
Teu cheiro de satisfação

Teu cheiro de sono
Teu cheiro de novo dia
Teu cheiro de até logo
E até teu cheiro de ausência.

As melhores fragrâncias
Que sinto de pertinho
Odores que não saem da minha cabeça
Que me fazem escrever sobre você
Ligar para você...

Ahhh... E teu cheiro de falar ao telefone,
Me trás o cheiro de vontade,
O cheiro de saudade,
O cheiro de querer
O cheiro de lembrar...

Até tua ausência me traz cheiros as narinas...
O cheiro de quero mais...
O cheiro de volta logo!


Uhm... Esses teus perfumes....
Fael d'CarvalhoO

Necessidade de Necessitar

Todos necessitam de algo...
Quando há fome:
Necessita-se de um prato de comida,
Um pedaço de pão.
(Que nem sempre chega)
Quando se tem frio:
Necessita-se de um lar,
De agasalhos
(Que nem sempre se tem)
Quando se tem medo:
Necessita-se de um abrigo,
Um apoio
(Que nem sempre está lá)
Quando falta afeto:
Necessita-se de uma família,
De amigos
(Que nem sempre existem)
Quando se tem saudades:
Necessita-se o retorno,
Notícias
(O que nem sempre acontecem)
Quando se está de cara com a morte:
Necessita-se a vida,
Saúde
(Que nem sempre é mantida)

Todos procuram algo para necessitar.
Mesmo quando não precisam de nada...
Necessitar por necessitar virou mania de gente.
Enquanto uns nada tem,
Outros com sua ganância sempre esbanjam.
Se já se tem uma casa:
Necessita-se de uma bela varanda
Se já se tem um carro:
Necessita-se de um do ano
Se já se tem fartura em suas mesas:
Necessita-se de sobras, e só para ir para o lixo
Se já se viveu muito,
Se tem marcas da vida e do tempo:
Necessita de cirurgias plásticas.
Se já tem boas roupas:
Necessita de grandes jóias inúteis e valiosas.
Se possui um rosto impecável:
Necessita de quilos de maquiagens,
Se tem um corpo bonito:
Necessita de espelhos que confirmem isso.
Se é dono de terras:
Necessita do mundo...
Se não tem necessidade alguma
Necessita-se ter necessidade!

Fael d'CarvalhoO

Casa sem luz

Casa sem luz é como um disfarce à noite,
Esconde imperfeições, cores
E objetos de boa qualidade.
É aquela que nem se vê nas entranhas do breu.

Uma casa sem luz assombra seus moradores,
Instiga os aventureiros,
Espanta os inocentes,
Trás insegurança aos seus visinhos.

A casa sem luz é como namoro sem beijo,
Como espelho sem reflexo,
Como café sem cheiro,
Como chocolate sem sabor,
Como amizade sem diálogo,
Como amor sem retorno!

Casa sem luz é em seu interior,
Insegura e inconstante,
Só sabem percorrer seus corredores e cômodos
Aqueles que a conhecem profundamente

Uma casa sem luz é sensível,
É possessiva,
É ciumenta,
É carente,
É abandonada,
É esquecida,
É trancada.

A casa sem luz não deixa que seu morador a mude
Não permite que o morador a tenha de verdade
A casa sem luz se isola...
E aquele que tenta comprar a propriedade sente-se isolado,
Frustrado por não entender sua própria morada.
Ahhh... Mas é aquela casa sem luz que o encanta.
é tão bom estar dentro daquela casa.

Fael d' CarvalhoO