Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Problemas no transporte terrestre no DF

O Distrito Federal hoje é uma área urbana surpreendente e vasta, com várias cidades muito próximas, tendo praticamente apenas duas cidades como fonte de grande quantidade de empregos e destinos rotineiros e diários para a população, Brasília e Taguatinga. Essas cidades acabam recebendo um grande fluxo de automóveis, de quase todas as cidades mais próximas. Pistas feitas para comportar certa quantidade de carros em alguns horários chegam a receber até cinco vezes mais carros do que o planejado. Com isso, outros problemas são acarretados, como uma âncora que puxa a corrente afundando pedaço por pedaço até parar o barco. Falta de locais para se estacionar, ruas saturadas de automóveis, trânsito lento, congestionamentos freqüentes e acidentes são alguns dos vários problemas.
Quando a capital federal foi planejada, supunha-se que a quantidade de pessoas que hoje transitam pela cidade seria bem menor. Por não se considerar algumas novas cidades satélites, o gritante crescimento populacional e também as grandes cidades do entorno do DF, que acabam dependendo praticamente do DF para trabalho e estudo, esse planejamento foi ultrapassado. O número de pessoas que transitam nas estradas brasilienses é bem maior do que o esperado. Em 1960, a população do DF era de 140.165 habitantes distribuídos pelas áreas urbanas, as poucas cidades satélites e registros em localidades ainda não urbanizadas ou reconhecidas como cidades. Hoje em dia, a população passa de 2 milhões de habitantes, contando com todos os municípios do Entorno a população passa para mais de 3 milhões de habitantes.
Em maio deste ano o número de automóveis emplacados no DF chegou a 1 milhão. Se o crescimento continuar na mesma proporção, daqui a 5 anos, em 2013, o número aumentará para 1,5 milhão e em 2018 para 2 milhões de carros. Se nossas estradas continuarem com a mesma estrutura e espaços distribuídos da maneira como estão, maximizando os problemas atuais com 1 milhão de automóveis, já em 2013 o trânsito estará em uma situação insustentável. Esses valores referem-se apenas aos automóveis emplacados no DF. Quando se contam os carros que transitam pelo DF e são emplacados em outros estados, os números se tornam mais assustadores.
Alguns pontos críticos no DF em questão de engarrafamentos são as BRs que dão acesso das cidades satélites e do entorno a Brasília. Exemplos: a BR-040, estrada que liga cidades da região sul do DF e Entorno; a BR-020, que dá acesso de Brasília às cidades ao norte do DF e Entorno. A BR-040 tem seu ponto crítico logo na divisa DF/GO (próximo ao viaduto de Santa Maria), que pela manhâ recebe o trânsito de ônibus, caminhões, carros e motos das pessoas que se encaminham para seus trabalhos, escolas e faculdades. Já a BR-020 tem seu pior período entre o final da tarde e início da noite no horário de pico. Situações irritantes que aumentam a condição de stress no trânsito, tudo é insuportável nesses períodos.
Existem também grandes problemas nas estradas parques, como a EPTG, que liga Taguatinga e proximidades a Brasília. A Epia também possui um trânsito bem saturado. Essa estrada conecta Brasília às cidades ligadas à BR-040. A Epia recebe ainda, em um trecho, o trânsito da EPTG na entrada de Brasília. Nessa altura, o trânsito em determinados horários torna-se muito desagradável e insuportável de modo que muitos motoristas preferem desviar desses pontos a enfrentá-los.
Existem ainda locais em que o tráfego de carros é intenso em todo o horário comercial (8h às 18h), dentre eles, o Setor Comercial Sul em Brasília, a Comercial Sul e Norte, em Taguatinga, locais que possuem muitos comércios, microempresas e também dão acesso a áreas residenciais. Nestes locais o transito é, geralmente, muito lento, quase nunca há vagas para estacionamento e até a locomoção de pedestres torna-se complicada.
Existem formas de reverter ou pelo menos conter esse crescimento de veículos e os problemas do trânsito, apresentadas por técnicos. As idéias são variadas e tentam atender todos os problemas. Todas as soluções são vistas como emergenciais e tendem a pesar no bolso dos motoristas para que não comprem mais carros ou que pelo menos não os usem diariamente. Ou a implantação de estacionamentos rotativos e prédios-garagem para esvaziar as ruas dando mais espaço aos carros em movimento. E ainda a utilização do sistema de rodízios de veículos, assim como em São Paulo, em que já se utiliza esse sistema baseado na terminação das placas, dando a cada terminação dias específicos para rodagem. Outra solução apontada é a cobrança de pedágios em áreas criticas. Claro que após esses recursos o transporte público teria que aumentar muito sua frota e melhorar bastante. Soluções como essas já se tornam necessárias no DF, mas também é necessário um tipo de incentivo moralista, uma conscientização prévia e desde cedo do problema para que se possa entender os males urbanísticos causados por esse “enxame” de carros em nossas estradas.

Rafael de Carvalho

Nenhum comentário: