Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Quase póstumo Poeta




Alguns dias sinto minha poesia morta,
Não que o mundo não disponibilize mais magia,
Mas por algumas coisas mudarem em mim.

Talvez seja o poeta que esteja morrendo,
Aquele que sempre foi faminto por paixões não anda com o mesmo apetite,
Não pelo mundo não lhe oferecer bons sabores ou lhe apresentar os melhores aromas.

Talvez o problema seja na visão,
Não que não veja a beleza que o mundo traz,
Mas pela forma de vê-la.

Ele olha de longe, mesmo próximo.
Saboreia a ambrosia sem ao menos tocá-la,
Sente o perfume sempre distante...

Esse poeta fugiu e se escondeu em outro ângulo.
Um que o deixa seguro, acomodado e entregue apenas a si mesmo,
Tão livre e tão prezo.

Esse poeta desconfia, agora, até dos mais sinceros sentimentos.
Entrega-se em parcelas, em momentos, sem esperar eternidades.
Clama para ser salvo desse esquecimento sem permitir salvamento.

Talvez este poeta esteja nas últimas.
Porque o poeta que não acredita em sua poesia não faz poesia.
Porque poeta que não sente, não vive, pelo menos, não como poeta...
  
Me reavaliando, Fael D’Carvalho