Existem filmes que após serem
assistidos devem ser comentados. Um deles, com certeza, é “A Pele que Habito”,
sob direção de Pedro Almodóvar.
Trata-se, simplesmente, do melhor
filme que assisti este ano. É surpreendente e super recomendável, com um
roteiro que viaja no tempo e te localiza com maestria. A produção lida com
assuntos diversos que vão desde dramas psicológicos, relações familiares,
estudo de gêneros, paradigmas científicos, justiça com as próprias mãos, etc...
e claro com muito suspense e amarrações muito interessantes, afinal estamos falando
de um filme de Almodóvar.
A história não segue uma linha
cronológica simples, mas como é apresentado deixa tudo muito claro - inclusive
adorei o recurso utilizado, achei clássico, achei vintage, rs. Aos poucos a
história se encaixa e todos os personagens são apresentados, inclusive
psicologicamente, através de flashbacks que precedem o desfecho surpreendente
(já repararam que este é o meu adjetivo para o filme, né?!). Então basta de
babação, vamos ao enredo:
Roberto Ledgard – encarnado com maestria
por Antônio Bandeiras – é um cirurgião louco, que teve uma família muito louca
e idéias muito loucas. Ledgard, passou por todas as agruras dessa terra, exceto
a pobreza. Sua esposa (Gal) quis fugir com o seu irmão marginal – Zeca - (obs.:
ele não sabe disso por que sua mãe era sua empregada), mas sofreram um acidente
quase morreu queimada, ele a salvou, apesar disso, a vaidade fala mais alto e Gal
acaba cometendo suicídio na frente da filha do casal. Norma (a filha –
interpretada pela atriz Bianca Suárez) desenvolve uma série de transtornos e
recebe tratamento psicológico. Numa dessa, o médico responsável pelo tratamento
da menina aconselha uma socialização.
Roberto leva a filha a um
casamento na cidade. Norma conhece Vicente, um jovem muito atraente vivido por Jan
Cornet, que a estupra e a deixa desacordada. Ao acordar, nos braços do pai, a
problemática Norma o reconhece como a pessoa que a violentou o que a faz voltar
ao isolamento e, posteriormente, cometer suicídio. Na verdade, este é o começo
de toda a trama.
Roberto, então, tem três
objetivos: se vingar do estuprador de sua filha, ser um cientista reconhecido
pela criação de uma super pele que possa ajudar vítimas de queimaduras e trazer
o grande amor da sua vida de volta. Para tudo isso só contava com a ajuda de
sua prestativa mãe empregada, Marília, e um meio, o corpo de Vicente.
Daí nasce Vera Cruz (a linda e extremamente sexy Elena Anaya).
O filme tem um que de bom humor e
suspense agradável casado ao constante clima de tensão. A fotografia do filme é
fantástica, mesmo fugindo do colorido, formando moldes neutros hora ou outra
interrompidos pelo vermelho do sangue, o preto do terno ou dos lápis na parede
azul pastel e roupas floridas. Outro recurso que merece parabéns é a edição,
pelos cortes, ótima sacada.
A sonoplastia te carrega pra
pizza de climão proposta desde o inicio do filme em parceria com a forma que
todos os atores foram super convincentes em seus personagens. Enfim, trata-se
de uma obra de arte feita na medida certa, sem exageros, apesar de ter cenas
fortíssimas e muito bem amarrada do começo ao fim. E falando em fim, o filme
acaba e você não sabe se quem mereceu se dar mal se deu mal e se quem se deu
bem realmente merecia se dar bem, por que todos tem o rabo preso.
Extasiado, Fael d'Carvalho.

Um comentário:
não estou aqui pra fazer um comentario sobre oque esta escrito... Venho aqui dizer que muito tempo se passou e que eu ouvi uma musica.. Que deixaram pra mim essa musica me levou a 3 anos atras .. Estranho .. Meio bizarro mas.. Fazer oque são coisas que ficam guardadas e sempre aparecem mesmo como neblina.. Ve se você se lembra de " Estou com sintomas de saudade estou pensando em você .. ” diria .. Tenso mas a vida continua... Abraços..
Postar um comentário