Realidades do meu viver...

Numa dessas, ainda me acabo com esse blog!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A beleza (ou quase isso) de A Pele Que Habito



Existem filmes que após serem assistidos devem ser comentados. Um deles, com certeza, é “A Pele que Habito”, sob direção de Pedro Almodóvar.

Trata-se, simplesmente, do melhor filme que assisti este ano. É surpreendente e super recomendável, com um roteiro que viaja no tempo e te localiza com maestria. A produção lida com assuntos diversos que vão desde dramas psicológicos, relações familiares, estudo de gêneros, paradigmas científicos, justiça com as próprias mãos, etc... e claro com muito suspense e amarrações muito interessantes, afinal estamos falando de um filme de Almodóvar.

A história não segue uma linha cronológica simples, mas como é apresentado deixa tudo muito claro - inclusive adorei o recurso utilizado, achei clássico, achei vintage, rs. Aos poucos a história se encaixa e todos os personagens são apresentados, inclusive psicologicamente, através de flashbacks que precedem o desfecho surpreendente (já repararam que este é o meu adjetivo para o filme, né?!). Então basta de babação, vamos ao enredo:

Roberto Ledgard – encarnado com maestria por Antônio Bandeiras – é um cirurgião louco, que teve uma família muito louca e idéias muito loucas. Ledgard, passou por todas as agruras dessa terra, exceto a pobreza. Sua esposa (Gal) quis fugir com o seu irmão marginal – Zeca - (obs.: ele não sabe disso por que sua mãe era sua empregada), mas sofreram um acidente quase morreu queimada, ele a salvou, apesar disso, a vaidade fala mais alto e Gal acaba cometendo suicídio na frente da filha do casal. Norma (a filha – interpretada pela atriz Bianca Suárez) desenvolve uma série de transtornos e recebe tratamento psicológico. Numa dessa, o médico responsável pelo tratamento da menina aconselha uma socialização.

Roberto leva a filha a um casamento na cidade. Norma conhece Vicente, um jovem muito atraente vivido por Jan Cornet, que a estupra e a deixa desacordada. Ao acordar, nos braços do pai, a problemática Norma o reconhece como a pessoa que a violentou o que a faz voltar ao isolamento e, posteriormente, cometer suicídio. Na verdade, este é o começo de toda a trama.

Roberto, então, tem três objetivos: se vingar do estuprador de sua filha, ser um cientista reconhecido pela criação de uma super pele que possa ajudar vítimas de queimaduras e trazer o grande amor da sua vida de volta. Para tudo isso só contava com a ajuda de sua prestativa mãe empregada, Marília, e um meio, o corpo de Vicente. Daí nasce Vera Cruz (a linda e extremamente sexy Elena Anaya).

O filme tem um que de bom humor e suspense agradável casado ao constante clima de tensão. A fotografia do filme é fantástica, mesmo fugindo do colorido, formando moldes neutros hora ou outra interrompidos pelo vermelho do sangue, o preto do terno ou dos lápis na parede azul pastel e roupas floridas. Outro recurso que merece parabéns é a edição, pelos cortes, ótima sacada.  

A sonoplastia te carrega pra pizza de climão proposta desde o inicio do filme em parceria com a forma que todos os atores foram super convincentes em seus personagens. Enfim, trata-se de uma obra de arte feita na medida certa, sem exageros, apesar de ter cenas fortíssimas e muito bem amarrada do começo ao fim. E falando em fim, o filme acaba e você não sabe se quem mereceu se dar mal se deu mal e se quem se deu bem realmente merecia se dar bem, por que todos tem o rabo preso.

Extasiado, Fael d'Carvalho.     

Um comentário:

Anônimo disse...

não estou aqui pra fazer um comentario sobre oque esta escrito... Venho aqui dizer que muito tempo se passou e que eu ouvi uma musica.. Que deixaram pra mim essa musica me levou a 3 anos atras .. Estranho .. Meio bizarro mas.. Fazer oque são coisas que ficam guardadas e sempre aparecem mesmo como neblina.. Ve se você se lembra de " Estou com sintomas de saudade estou pensando em você .. ” diria .. Tenso mas a vida continua... Abraços..