Não precisamos ir longe para
entender do que estou falando. Que tal irmos ao ponto mais comum. Sim, a quase
básica e previamente determinada religião. Não vou discuti-la. Não digo aqui
sobre religiosidade, não me refiro aqui a quem acredita em um Deus, em vários,
em entidades que auxiliam e sei lá mais o que, mesmo por que sou desses.
Aqui me refiro a quem, de forma errada, com os
dogmas da religião que segue, condena seu semelhante. Pessoas que se julgam no
direito de condenarem a felicidade alheia com base na sua visão de felicidade.
Nessa realidade, existem os que sofrem. Gays, gente do candomblé, espíritas,
feministas e outros taxados como contraversores pelo fato de seguirem o que acreditam, seja espiritualmente, afetivamente ou sexualmente.
Agora explica, por que o seguidor
do candomblé é um infrator, sendo que ele apenas faz o que todo cristão
fervoroso faz? Por que quando o “macumbeiro” faz seu rito de fé ele cultua a um
diabo? O Deus (ou deuses, no caso) dele é o mesmo do seu, só que com nome
diferente. A crença dele tem história, assim como a sua, só que por caminhos
diferentes.
Aqueles que dominam tentam
atribuir seus demônios a crença dos outros. Talvez uma mera auto-afirmação. Os
oprimidos, outro lado de uma história e que, por coincidência ou não, nunca são
ouvidos viram os vilões. Funciona assim em todo setor.
Todo preconceito nasce de um olho
crítico central limitado por crenças ultrapassadas – possivelmente esse olho
seja de vidro, por que né!? – ,não quero ter que citar o caso dos homossexuais
que não têm direito de se casar, ou que, ainda hoje, passem um crivo exaustivo
para fazer uma adoção, nem quero comentar – já comentando – sobre mulheres estereotipadas
para o sexo ou, apesar de todos os fatos históricos deste e do século passado,
ainda sofrerem discriminação, serem tidas como propriedade de seus pseudo-machos,
ou cumprirem quase que obrigatoriamente funções duplas em suas vidas... Esta é
nossa sociedade isônoma, esse é nosso Estado Laico.
Minha conclusão é: Antes de se
abrir uma boca para um comentário sobre qualquer pessoa que não seja você,
desconecte-se desse olho de vidro e abra, pelo menos uma vez, o seu próprio
olho. Veja o mundo com seus olhos e nunca se deixe ser visto pelos olhos do
mundo. Reaja!
Não há geração que queira viver como a de seus pais,
Não há filho que se contente com a tecnologia de seu pai quando tinha a mesma idade,
Não há filha que brinque de boneca ou de cazinha e não se veja empresária, médica ou dentista...
Não há família em que, pelo menos um, não queira brincar apenas de papai e mamãe.
Os tempos mudaram e os pensamentos continuam os mesmos...
A pergunta é: Até quando?
Numa noite dessas, Fael d'Carvalho

Um comentário:
Bela colocação da realidade em q vivemos. O mundo está evoluindo mas a mente humano ainda vive no passado encrustrado com preconceitos e regras ultrapassadas. Tenho esperança que isso mude um dia. Mas pelo andar da carruagem vai demorar.
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