Mãos soando,
Estomago doendo,
A mente tão longe.
Meus pensamentos me destroem,
Reconstroem-me,
Me elevam e me destroem novamente.
Sinto-me como uma obra inacabada,
Esperando os últimos moldes,
A última esculpida,
A última pincelada,
Uns poucos retoques,
A Mão de tinta,
Para depois ser vendida...
Bem baratinha.
Só para não ocupar espaço num ateliê
Num ateliê que não me cabe.
Sinto-me como uma almofada de alfaiate,
Daquelas que se guardam as agulhas, os alfinetes e as tachinhas.
A cada agulhada me sinto mais sem espaço,
Mais destruído,
Me movo menos.
Não tento me mover.
Algumas agulhas nunca sairão dali...
Cairão no esquecimento
Outras sairão e no seu espaço ficará o vazio...
Vazio esse que me mata!
Me sinto como se uma faca me atravessasse lado a lado,
Na altura do coração,
Me despedaçando...
Sinto que, aos poucos, me isolo pelas minhas feridas,
Com receio de minhas cicatrizes.
Algumas nem são reais, mas penso que são.
Sinto que estou caindo num buraco sem fundo,
Sem luz, sem companhia, sem som...
Sinto que algumas das mãos que podem me salvar
Se recolhem à medida que vou passando.
Vejo que algumas se estendem
Mas não consigo me agarrar
Estou fraco...
Estou triste...
Estou confuso...
Estou com medo...
Estou dolorido...
Estou podre por dentro.
Preciso de certezas!
Preciso de companhia,
Corro atrás de algumas.
Prefiro não pensar...
Para não me destruir
Não destruir o que é verdade,
Não destruir o que é realidade,
Não desconfigurar o que cada pessoa é para mim
Não embaçar o que sou para as pessoas
Ehhh... Prefiro não pensar!
Fael d'CarvalhoO!
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